O que é Halving?

Tradicionalmente, com maior ou menor nível de autonomia, o controle da moeda de um país fica a encargo dos seus bancos centrais. Sendo assim, o aumento ou a diminuição da emissão de novos dólares, euros ou reais na economia depende da estratégia monetária delineada pelos seus respectivos gestores. Uma nova cédula de dinheiro só é impressa e distribuída na economia se assim for determinado pelo banco central ou pelo órgão governamental competente.

O problema é que, às vezes, o pessoalzinho engravatado que gerencia os nossos bancos dá uma bugada coletiva, joga pros pombos a tão cultuada estratégia monetária e resolve imprimir moeda como se fosse panfleto de loja de pneu. Essa enxurrada de dinheiro na economia, como consequência, desvaloriza o valor da moeda, gerando hiperinflação e tudo começa a sair do prumo. E, mesmo que os engravatados tentem a todo custo provar que estavam certos; claro que a conta estoura no nosso colo. Quem sofre no dia-a-dia, afinal, somos nós. Mas deixemos de choramingar as pitangas mofadas e vamos seguir com a história.

O bitcoin – ativo que vamos abordar como exemplo – possui um modelo completamente diferente disso aí de cima. Primeiro é importante entender que o bitcoin é um ativo digital escasso e com uma quantidade finita e predefinida. Mas o que isso quer dizer exatamente? Quer dizer que o bitcoin, de certo modo, é como o ouro, a prata ou qualquer outro minério, ou recurso, que possui uma quantidade finita na natureza.

Por exemplo, estima-se que ainda haja 50 mil toneladas de ouro disponíveis para a mineração no planeta. No caso do bitcoin, sabe-se, antecipadamente e com absoluta certeza, que a quantidade de bitcoins existentes é de 21 milhões. Nesse sentido, sabe-se que um dia, o bitcoin – da mesma maneira que o ouro e a prata – vai acabar.

Meu Deus! Como assim?! Eu nem comecei a investir e o bitcoin já vai acabar? Calma, gente. Segura a peruca. Sem desespero. Vamos seguir.

Em 2008, Satoshi Nakamoto, fundador do bitcoin, estabeleceu essa regra, predefinindo, através de um código de programação, essa quantidade de moedas – 21 milhões – no código de funcionamento do bitcoin.

Satoshi – que de bobo não tinha nem sequer uma unhazinha encravada do pé esquerdo – queria criar uma moeda que pudesse simular digitalmente as características e atributos que fizeram do ouro a principal reserva de valor do planeta: escassez, perenidade e facilidade de divisão. Por isso, ele determinou a quantidade máxima de bitcoins existentes na rede e regulou, através de algorítmos, a velocidade com que novos blocos de bitcoin seriam disponibilizados ao mercado – para que os investidores não tivessem acesso a todos os bitcoins de uma vez só. Dessa forma, Satoshi simulou digitalmente o modelo de escassez que regula o mercado de metais. Com o passar do tempo, a diminuição da disponibilidade de bitcoins – da mesma forma que acontece com l ouro e prata – faz com que seu valor de mercado aumente.

Para tanto, Satoshi estabeleceu que, nos primeiros quatro anos, 50 novos bitcoins seriam incluídos na economia a cada 10 minutos. Passados esses quatro anos iniciais, essa razão cairia pela metade. Ou seja, 25 blocos poderiam ser minerados a cada dez minutos. E assim por diante. A cada quatro anos, a emissão da quantidade de blocos disponíveis cairia pela metade – como se, com o passar do tempo, encontrar novos bitcoins fosse se tornando mais difícil e desafiador. No mundo das criptomoedas, esse processo que ocorre de 4 em 4 anos, de redução pela metade da quantidade de blocos disponíveis, chama-se halving.

Atualmente, depois de terem ocorrido halvings nos anos de 2012, 2016 e 2020, são criados 6,25 novos bitcoins a cada 10 minutos. Isso significa que já temos disponíveis na rede algo em torno de 18 milhões de bitcoins ou 85 por cento do total definido pelo protocolo de Satoshi. De halving em halving, redução em redução, o último bloco de bitcoin está previsto para ser minerado em algum momento do ano de 2140.

A estratégia de escassez implementada pelo bitcoin, como se emulasse um recurso finito, e a emissão regular, programada e decrescente de novos recursos faz com que ele não esteja sujeito à inflação ou à depreciação extrema do valor de comprar, como estão as moedas tradicionais. Essa característica consiste em uma mudança paradigmática profunda e revoluciona a forma como pensamos e interagimos com ativos financeiros.

Além disso, é importante lembrar que o protocolo de programação do bitcoin é imutável. Não fica submetido aos delírios eventuais e levianos de economistas engravatados, nem pode ser alterado por quaisquer interesses momentâneos. Nem adianta espernear: o que Satoshi determinou está determinado de forma pétrea e perene.

Resumindo tudo para que não fique nenhuma questão pendente: halving é o mecanismo que, de quatro em quatro anos, regula a taxa de emissão de novos bitcoins no mercado. O código do bitcoin determina que só podem haver 21 milhões de bitcoins. Isso significa que o bitcoin é um artigo escasso, emitido em razão decrescente – o que o mantém imune de qualquer processo inflacionário. Outras moedas também possuem o mesmo mecanismo? Sim! Litecoin, Zcash, Dash, Ethereum Classic, Bitcoin Cash, Verge, Tomochain, entre outras. Mas a base teórica é a mesma.

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