O que é um Bitcoin?

O que é um bitcoin? A pergunta que a gente tem a responsabilidade de responder parece simples. E, de fato, pensando bem, é mesmo bastante simples. Não tem muito mistério.

Porém, apesar dessa aparente simplicidade, muita gente já tentou responder essa pergunta e se embaralhou à beça. Na maioria das vezes, tudo caminha bem até um determinado momento, mas, de repente, um conceito se mistura com outro, matemática com economia, computação com teoria financeira, e tudo acaba virando uma sopa requentada em algum lugar obscuro do cérebro – principalmente para quem tem as disciplinas humanas tatuadas no braço com orgulho.

A gente vai tentar não complicar. Promessa. Vamos avançar pouco a pouco, ponto a ponto, sem misturar as coisas, pra que todo mundo possa assimilar os conceitos fundamentais do bitcoin sem se perder em um emaranhado de informações.

Primeiro, pra que a gente possa deixar de lado estigmas e temores, vamos começar pelo que o bitcoin não é: o bitcoin não é um esquema de pirâmide. O bitcoin não é ilegal. O bitcoin não é coisa de hacker. Ou de nerd. Ou de gênios da computação. O bitcoin não é pra comprar urânio enriquecido. O bitcoin não trafica. O bitcoin não faz guerra. O bitcoin não é uma conspiração russa ou chinesa.

Então, chega de enrolação: o que é, afinal, um bitcoin?

Um bitcoin é uma criptomoeda ou, de uma forma ainda mais simples, um bitcoin é uma moeda digital. Isso significa que, infelizmente, você não vai encontrar um bitcoin dando bobeira na calçada, nem vai encher o bolso de moedas de bitcoin – apesar de poder ficar rico se tiver um punhado delas. Uma criptomoeda, pra que não reste dúvida, é uma moeda imaterial, incorpórea, que só existe virtualmente, em ambiente digital.

A princípio, pra algumas pessoas, pode parecer um pouco assustador pensar em um dinheiro que não é físico, que a gente não pode tocar, sentir. Se você é uma dessas pessoas, basta pensar no seu cartão de crédito ou no seu cartão de débito: todo mundo entende que aqueles pedaços retangulares de plástico são simplesmente substitutos do dinheiro físico. Com bitcoin, de certo modo, também é assim.

Outro exemplo ainda mais fácil de entender: pensa na sua conta bancária. O saldo que aparece disponível na tela do seu telefone ou na tela de um caixa eletrônico é o número daquilo que pode ser transferido para outras contas, destinado a fazer pagamentos ou que sai na sua mão, convertido em dinheiro físico, impresso em papel moeda. Com o bitcoin funciona exatamente da mesma maneira: você tem sua conta, o seu saldo e pode transferir valores para outras pessoas, pagar suas contas ou, se preferir, resgatar esse valor em papel moeda quando você quiser, quando bem entender. Hoje, com o crescimento da rede do bitcoin,você pode, inclusive, como em um banco comum, ter cartões de crédito e débito para utilizar seus bitcoins de forma mais prática e conveniente.

O bitcoin é uma moeda como o real, como o dólar, como o peso, como o euro, mas que não está atrelada a nenhum país. Não pertence a nenhuma nação, a nenhum estado, a nenhum governo, a nenhum grupo econômico ou banco central. Ou seja, o bitcoin é uma moeda descentralizada. E isso tem muitas vantagens no mundo de hoje: quer dizer que ela não sofre depreciação com políticas econômicas equivocadas, quer dizer que ela não pode ser apreendida ou bloqueada pelo governo em momentos de crise, que não está sujeita ao autoritarismo, nem aos embates político-partidários, que não está atrelada às convicções momentâneas dos ministros da fazenda ou à cabeça nem sempre equilibrada dos nossos governantes.

Uma moeda descentralizada quer dizer também que nenhuma instituição financeira, nenhum banco, toma conta do seu dinheiro. Nessa hora, um monte de gente sente, de novo, aquele frio percorrendo a barriga. Como assim? Mas então quem cuida do meu dinheiro? Calma. Respira. A gente vai chegar lá. Nós nos acostumamos a fornecer para os bancos tudo aquilo que a gente ganha. Desde que nos tornamos cidadãos economicamente ativos, todo o dinheiro das nossas vidas vai diretamente pra uma conta bancária. Nos sentimos seguros com uma senha de seis dígitos e um aplicativo que mostra o desenho minúsculo de um cadeado no canto da tela. Nos sentimos protegidos dos hackers. Protegidos dos golpes. Temos a ilusão de que a rede de computadores dos bancos cria uma espécie de escudo de proteção que nos mantém a salvo. E esse sistema nos transmite confiança, aquieta nossos medos e faz com que possamos dormir tranquilos.

O bitcoin também faz uso de uma rede exclusiva. O sistema que provê segurança para as transações de bitcoin chama-se blockchain e é nesse sistema, nessa rede, que ficam registrados todos os dados de qualquer transação feita no mundo. A blockchain funciona como um histórico. Como um gigantesco livro de registros. E todo usuário do sistema bitcoin – assim que é incluído na rede – passa a possuir no seu computador, ou telefone, o registro de todas as transações realizadas por todos os outros usuários do planeta. Como se todos os computadores da rede formassem um único, imenso e inviolável livro de registros que não pode ser apagado e que está sempre acessível, disponível, público, transparente para quem quiser verificar, para dirimir qualquer dúvida, para qualquer averiguação.

Seja qual for o seu banco – Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Citi, Bank of Boston ou todos eles juntos – é certo que o sistema de proteção utilizado por ele é incomparavelmente menor do que o sistema que protege o Bitcoin. O poder de processamento do blockchain é milhares e milhares de vezes superior ao de qualquer banco do planeta. Pra você ter uma ideia, estima-se que a rede bitcoin tenha uma capacidade de processamento 500 vezes superior do que a da Google. Se juntássemos todos os computadores envolvidos em transações de bitcoin seriam necessárias 7 usinas nucleares só para que eles pudessem funcionar. 21.8 milhões de painéis solares. 9.1 milhões de cavalos de potência. E a tendência é de que essa rede se torne cada vez mais robusta, já que quanto mais usuários aderem ao bitcoin, maior e mais seguro se torna o sistema como um todo. Essa redoma global, imensa e de poder imensuravelmente superior a qualquer um dos seus bancos, é o que fornece segurança, proteção e confiança para todo esse sistema e para todos os usuários da rede. E é um dos pilares que fazem do bitcoin uma revolução incontornável, disruptiva e uma alternativa de investimento extremamente atrativa tanto para perfis mais arrojados como para mais conservadores.

Mas peraí: quem criou, afinal, esse tal de bitcoin? Ih… pergunta difícil… esse é um grande mistério. A resposta padrão para essa pergunta é: Satoshi Nakamoto. Não, não é um mestre zen que se esconde em alguma província distante do Japão. Na verdade, ninguém sabe ao certo quem ele é. Sua identidade é desconhecida. E aqui a gente abre um parêntese: as fotos publicadas na internet que provavelmente você vai encontrar não pertencem a ele, tá? Existem teorias que afirmam que Satoshi era Steve Jobs. Outros dizem que é um programador russo. Ou que Satoshi Nakamoto é um grupo de pessoas – uma sociedade secreta – que se reuniu com esse propósito. E as teorias da conspiração se multiplicam todas elas destituídas de qualquer fundamento. De qualquer forma, é bem divertido acompanhar a dúvida que paira sobre a cabeça de todos os aficcionados pela moeda.

Colocando de lado as hipóteses estapafúrdias, aquilo que sabemos de fato é que, em janeiro de 2009, alguém que se auto intitulava Satoshi Nakamoto criou toda a base de programação do bitcoin: desenvolveu seus protocolos, suas regras, definiu sua mecânica e divulgou sua criação pela internet. Desde então, o bitcoin tomou vida própria. Não tem um dono. Não tem um agente regulador. Não pertence a um governo, nem a uma empresa, nem a um banco. Nem pertenceria ao próprio Satoshi mesmo que porventura ele voltasse flutuando magicamente de dentro das nuvens. O bitcoin é autogerido. Sua programação não pode ser modificada. Todo o seu funcionamento, seus algoritmos, foram pré-definidos e assim continuarão.

Resumindo tudo pra que depois vocês não digam – injustamente, claro! – que o material ficou confuso: o bitcoin é uma moeda digital – ou uma criptomoeda -, descentralizada, porque não pertence a nenhum país ou instituição financeira; e que conta com um sistema de proteção de dados inviolável, público e extremamente seguro, a blockchain. Ah, e foi criado por Satoshi Nakamoto – que, segundo as lendas mais fantasiosas, era pseudônimo de Steve Jobs ou de um programador russo ou – porque não? – de um mestre Zen radicado nas montanhas do Japão.

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