O que é uma rede peer-to-peer?

Peer-to-peer, que pode ser abreviado como P2P, significa, literalmente, de par para par ou de ponto a ponto. Falando assim, não dá pra entender muito bem do que se trata. Mas, não se assuste, é uma coisa bem simples.

As redes P2P são sistemas que conectam pessoas diretamente, sem a necessidade de intermediários. Por isso, talvez a melhor forma de traduzir esse termo seja dizer que redes peer to peer são redes pessoa para pessoa ou usuário para usuário. Dessa forma a arquitetura do sistema peer-to-peer fica mais compreensível, mais fácil de todo mundo entender.

Se é uma coisa tão simples assim porque esse conceito é tão importante para o sistema das criptomoedas?

A utilização de uma rede peer-to-peer cria as condições estruturais para que o sistema do bitcoin e de outras criptomoedas possam operar de forma descentralizada – sem a regulação de um banco, de um governo ou de qualquer outra instituição de poder. Ao mesmo tempo, a distribuição do sistema peer-to-peer entre diversos de usuários confere resistência e resiliência para a rede como um todo.

Quanto mais usuários fazem parte dessa rede, mais robusto o sistema se torna e maior a segurança contra eventuais fraudes e falcatruas. Quanto mais elos conectando os blocos dessa cadeia de dados mais forte e resistente fica a rede como um todo.

Vamos entender como as redes P2P funcionam de forma um pouco mais aprofundada.

Os sistemas P2P ganharam notoriedade no final dos anos 90, através, principalmente, do programa de compartilhamento de arquivos Napster. O software habilitava que usuários de qualquer parte do mundo pudessem compartilhar arquivos – predominantemente música, nesse caso – com outros usuários da rede. A Napster criou uma rede global de usuários aficcionados e, à parte todo o desenrolar jurídico desse fenômeno, criou as bases para uma nova indústria fonográfica e introduziu a lógica de compartilhamento das criptomoedas.

Do mesmo modo como arquivos de música eram compartilhados entre usuários na década de 90, hoje as pessoas trocam valores. Os arquivos do Napster eram, em sua maioria, de mp3. Hoje, os arquivos são códigos criptografados que representam quantias. De igual maneira, não existe uma central de comando que arbitre as transações da rede ou mesmo uma terceira parte que sirva de mediadora nas operações financeiras entre duas pessoas – esse conceito é o que chamamos de descentralização de rede.

A descentralização cria algumas vantagens bastante tangíveis para os usuários: faz com que as transações via criptomoedas sejam mais baratas – já que não são taxadas por instituições; permite, por exemplo, que você possa negociar, comprar e vender de pessoas de outros países, sem complexos trâmites aduaneiros; significa também que você pode viajar para o exterior com sua carteira de criptomoedas sem ficar refém das casas de câmbio. E a descentralização só pode existir porque o sistema está organizado de modo a capacitar os usuários a se conectarem diretamente entre si, como se todos os participantes estivessem interligados, conectados por elos virtuais.

Nesse sentido, não existe uma barreira que te impeça de fazer contato com um usuário francês ou americano ou japonês ou de qualquer outro lugar – aliás, você nem precisa ficar sabendo dessa informação. O sistema peer to peer organiza-se de forma a permitir que todos se relacionem com todos, numa espécie de gestão anônima e coletiva. Sem instituições, sem governos, sem intermediários.

Vamos exemplificar isso de uma outra forma. Normalmente, dentro de um modelo tradicional, nossas transações financeiras são intermediadas por instituições bancárias – que estão conectadas ao sistema financeiro de um país ou de vários países ao mesmo tempo. Se eu faço uma compra com o meu cartão de crédito no seu estabelecimento, o meu banco se comunica com o seu banco, o sistema de ambos verifica o meu saldo e os dados fornecidos para que possa haver, finalmente, uma transferência de valor. Essa transferência de valor é registrada nos dois sistemas – do meu banco e do seu – e enviada para o governo. Os bancos e instituições financeiras ganham dinheiro taxando cada uma dessas transações. Isso tudo acontece muito rápido, em segundos; mas essa troca de informações entre diversos bancos e intermediários é a base para compreendermos como opera a rede bancária tradicional.

No caso da rede peer-to-peer é como se todo usuário fosse sua própria instituição bancária – armazenando seus ativos e trocando-os com outros usuários, diretamente, assim que o deseje. Sem nenhuma daquelas idas e vindas, taxas e mais taxas, do sistema tradicional. Como se os usuários fossem, ao mesmo tempo, clientes e bancos.

Nesse sentido, o percurso que o seu dinheiro faz – ou melhor dizendo, suas criptos fazem – a partir de transações via rede peer to peer é muito mais direto: os ativos passam de um indivíduo para outro, de uma carteira pra outra. Como se a rede simulasse, em ambiente digital, uma transferência de dinheiro físico entre duas pessoas.

Como vocês podem perceber, liberdade e autonomia do usuário são palavras chaves para compreendermos o contexto das criptos e o propósito da sua criação.

É importante destacar, ainda, que os registros dessas transações realizadas entre usuários ficam permanentemente gravados no histórico da blockchain, conferindo segurança para todo o processo. Quanto mais usuários fazem parte dessa rede, mais protegida ela se torna, como se os elos que conectam os blocos da cadeia se tornassem mais numerosos e, por conseguinte, mais fortes, mais resistentes.

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